O DLSS 5, próxima geração da tecnologia de reconstrução de imagem da NVIDIA, já foi colocado para funcionar de forma não oficial em placas GeForce RTX 30. O resultado chama atenção pela compatibilidade inesperada, mas os primeiros testes também deixam claro por que isso não significa que GPUs Ampere estejam prontas para receber o recurso: em vários jogos, a taxa de quadros cai para níveis praticamente injogáveis.
Em resumo
- Modders conseguiram executar uma versão preliminar do DLSS 5 em GPUs RTX 30.
- O recurso não foi anunciado oficialmente para Ampere e o método usa software pré-lançamento.
- RTX 3080, 3080 Ti e 3090 conseguiram gerar imagem, mas com grandes perdas de desempenho.
- Em alguns testes, jogos caíram para menos de 10 fps.
- A experiência mostra compatibilidade técnica parcial, não suporte oficial.
A descoberta parte de arquivos pré-lançamento encontrados no acesso antecipado de NBA 2K27. A partir deles, integrantes da comunidade de modding adaptaram a biblioteca para diferentes gerações de GeForce. Depois de fazê-la funcionar em placas RTX 40, o experimento foi levado até a arquitetura Ampere, usada nas RTX 30.
Vídeo oficial da NVIDIA apresentando o DLSS 5. Os testes em RTX 30 citados nesta matéria são experimentais e não fazem parte desta demonstração oficial.
DLSS 5 em RTX 30 funciona, mas o custo em FPS é enorme
Segundo testes reunidos pelo Tom’s Hardware, uma RTX 3080 Ti conseguiu rodar GTA V na faixa de 20 a 30 fps em 1440p com a tecnologia experimental ativa. Uma RTX 3080 chegou perto de 40 fps em Dying Light 2, enquanto uma RTX 3090 ficou por volta de 30 fps em Hogwarts Legacy.
Os piores casos são mais reveladores. O mesmo Hogwarts Legacy apareceu a cerca de 2 fps em uma RTX 3070; Deep Rock Galactic, que passava de 130 fps sem o recurso, caiu para aproximadamente 4 fps em uma RTX 3080; e Cyberpunk 2077 foi registrado perto de 7 fps em uma RTX 3080 Ti em uma das configurações testadas.
Houve um cenário de Cyberpunk 2077 chegando à casa de 41 fps, mas em 720p e usando modo Ultra Performance. Ou seja: é um resultado interessante como prova de conceito, não uma configuração que faça sentido para jogar normalmente em uma GPU desse nível.
Por que o DLSS 5 pesa tanto nas RTX 30?
A NVIDIA ainda não detalhou publicamente todos os requisitos do DLSS 5, então qualquer explicação sobre compatibilidade precisa ser tratada com cautela. O que os testes sugerem é que conseguir carregar o recurso e produzir uma imagem é uma coisa; executá-lo com a eficiência para a qual foi projetado é outra.
As RTX 50, baseadas na arquitetura Blackwell, têm hardware de IA mais novo e suporte a formatos de precisão reduzida como FP8 em um nível muito mais adequado às cargas modernas de inferência. Ampere possui Tensor Cores e continua capaz de executar técnicas de IA, mas não necessariamente com a mesma eficiência para o caminho de renderização usado pelo novo algoritmo.
Isso ajuda a explicar por que uma GPU teoricamente poderosa como a RTX 3090 consegue “rodar” a solução, mas perde uma parcela enorme do desempenho. É parecido com executar uma instrução por um caminho alternativo: o resultado pode sair, só que caro demais para ser útil em tempo real.
Isso significa que a NVIDIA pode liberar DLSS 5 para RTX 30?
Não dá para concluir isso a partir do mod. A NVIDIA não anunciou uma lista oficial de GPUs compatíveis com DLSS 5 nem uma data pública de lançamento da tecnologia. O fato de código preliminar conseguir processar frames em Ampere não confirma que a empresa tenha planos de oferecer suporte às RTX 30.
Também vale lembrar que o DLSS atual já é dividido em componentes. Recursos como Super Resolution, Ray Reconstruction e geração de quadros não necessariamente têm a mesma compatibilidade entre gerações. A NVIDIA pode escolher liberar partes de uma nova versão para placas antigas e manter outras restritas ao hardware mais recente, como já aconteceu anteriormente.
Por isso, o teste é mais interessante pelo que revela sobre o hardware do que como previsão de produto. As RTX 30 ainda conseguem participar de cargas modernas de IA gráfica, mas a diferença de eficiência entre gerações começa a ficar bastante evidente.
O que isso muda para quem ainda joga com uma RTX 30
Por enquanto, nada precisa ser instalado ou alterado. Quem usa uma RTX 3060, 3070, 3080 ou 3090 continua melhor servido pelas versões oficialmente suportadas do DLSS e pelos perfis disponibilizados nos próprios jogos.
O experimento também não é motivo para procurar bibliotecas vazadas ou substituir arquivos de jogos. Além do risco de instabilidade, estamos falando de software pré-lançamento e de um método sem suporte da NVIDIA ou dos desenvolvedores dos títulos testados.
O ponto positivo para donos de Ampere é outro: cinco anos depois da estreia das RTX 30, a arquitetura ainda consegue executar uma tecnologia de renderização feita para uma geração muito mais recente, mesmo que de forma lenta. Isso mostra que o hardware envelheceu melhor em capacidade computacional do que os números de FPS deste teste podem sugerir.
Para acompanhar o outro extremo da linha GeForce, veja também nossa matéria sobre o experimento que fez uma RTX 5090 funcionar com alimentação soldada diretamente ao PCB.
Fontes consultadas
- Tom’s Hardware — testes do DLSS 5 experimental em GPUs Ampere
- NVIDIA — página oficial da tecnologia DLSS
O zGamer não reproduziu esse procedimento. Os resultados acima vêm de testes comunitários documentados pela imprensa especializada e não representam suporte oficial da NVIDIA.
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