Capcom anunciou o REX, nova versão do RE Engine que incorpora ferramentas de inteligência artificial ao processo interno de desenvolvimento. O projeto foi revelado pelo programador Satoshi Ishida durante a Capcom Open Conference RE:2026, evento técnico da própria empresa, em 3 de outubro de 2026, segundo PC Gamer e Video Games Chronicle. A Capcom foi direta sobre o ponto que mais preocupa jogadores nesse tipo de anúncio: segundo a empresa, o REX não vai gerar arte, personagens ou conteúdo de jogo por IA.

O que é o REX e como ele muda o RE Engine
O RE Engine é o motor gráfico próprio da Capcom, usado em cerca de 30 jogos desde Resident Evil 7, em 2017. O REX não é um motor novo nem substitui o RE Engine: é uma camada de seis programas pensada para resolver desafios de desenvolvimento AAA como performance, ferramentas, eficiência de produção e controle de qualidade. A Capcom detalhou publicamente quatro desses módulos até agora:
- Re:Dox, que organiza e padroniza diferentes tipos de dados do projeto em um formato único;
- RE:UI, otimização assistida por IA das próprias ferramentas internas de desenvolvimento;
- RE: Runtime, que permite animar grandes quantidades de objetos e personagens em grupo com menos trabalho manual;
- RE: Flows, que converte a implementação de mecânicas de jogo em uma linguagem padronizada, mais fácil de reaproveitar entre equipes.
Os outros dois módulos do REX ainda não foram detalhados pela Capcom.
Capcom descarta arte gerada por IA nos jogos
A posição da empresa sobre o uso de IA generativa foi direta: a Capcom afirmou que “não vai implementar assets gerados por IA” no conteúdo de seus jogos, mas vai usar a tecnologia para “aumentar a eficiência e impulsionar a produtividade” durante o desenvolvimento. Shinichi Inoue, vice-presidente de plataforma de desenvolvimento de jogos e soluções de IA da Capcom, reforçou que o objetivo “não é criar arte, mas desbloquear o potencial dos criadores”, e disse esperar que o REX ajude a empresa a “voltar a um estado em que as pessoas discutem ideias interessantes, chegam a um consenso e depois as transformam em realidade”.
Por que isso importa para quem joga Resident Evil, Monster Hunter e Devil May Cry
O RE Engine não é exclusivo de uma franquia: ele roda Resident Evil, incluindo o recente Resident Evil Requiem, além de Monster Hunter, Devil May Cry, Dragon’s Dogma, Street Fighter 6 e Onimusha: Way of the Sword. Na prática, qualquer ganho de eficiência que o REX trouxer ao pipeline interno da Capcom tende a afetar, com o tempo, o ritmo de produção de jogos dessas séries, da mesma forma que avanços de IA aplicados a hardware já mudam a experiência do jogador em títulos como os que usam o DLSS 5 da NVIDIA. A Capcom não confirmou, porém, quais jogos específicos vão usar o REX primeiro, nem um cronograma de implementação.
O que está confirmado e o que ainda falta saber
Confirmado: o anúncio do REX na Capcom Open Conference RE:2026, em 3 de outubro de 2026, apresentado por Satoshi Ishida; quatro módulos detalhados (Re:Dox, RE:UI, RE: Runtime e RE: Flows); a posição oficial da Capcom contra o uso de assets gerados por IA no conteúdo dos jogos; e o uso do RE Engine em cerca de 30 títulos desde 2017.
Ainda não confirmado: os outros dois módulos do REX, um cronograma de lançamento ou integração nos jogos, e quais franquias ou títulos específicos vão adotar as novas ferramentas primeiro.
Fontes: PC Gamer, Video Games Chronicle e Hardware.com.br. Informações conferidas em 4 de outubro de 2026.

