Jogos de Trump: Casa Branca transforma Tetris e Snake em MAGA

Julio Nascimento
Julio acompanha games desde a época dos primeiros portáteis da Nintendo e nunca perdeu o costume de fechar cada geração com um Zelda debaixo do braço....
8 min de leitura

A Casa Branca transformou parte da agenda de Donald Trump em videogames. O site oficial do governo dos Estados Unidos ganhou uma seção chamada Arcade, com cinco jogos retrô gratuitos ligados a temas como imigração, fronteira, alimentação e contas de investimento para crianças.

O detalhe que chamou atenção de quem joga é que várias dessas experiências lembram clássicos imediatamente reconhecíveis, como Tetris, Snake, Tapper e Flappy Bird. E a brincadeira já provocou uma reação séria: a Tetris Company afirmou que não participou da criação de Build the Wall e não autorizou o uso de sua propriedade intelectual.

A página oficial White House Arcade pode ser acessada aqui.

O que são os jogos MAGA da Casa Branca?

A seção Arcade foi lançada pela Casa Branca em setembro de 2026. São cinco pequenos jogos feitos para navegador, cada um transformando uma iniciativa ou mensagem da administração Trump em uma mecânica de videogame.

Jogo Lembra Tema
Build the Wall Tetris Fronteira e imigração
Rio Run Snake Imigração
Supply Line Tapper Make America Healthy Again
Flappy Bill Flappy Bird Processo legislativo
Trump Savings Tycoon Arcade de coleta Trump Accounts

O resultado parece uma coleção de minigames de navegador dos anos 2000, mas aplicada à comunicação política de 2026.

Build the Wall transforma Tetris em construção de muro

O jogo que mais chamou atenção foi Build the Wall. A estrutura é muito parecida com Tetris: peças geométricas descem pela tela e precisam ser encaixadas pelo jogador.

Só que o objetivo visual e narrativo mudou. Em vez de simplesmente completar linhas, o jogador participa de uma representação ligada à política de fronteira dos Estados Unidos. A própria Casa Branca descreve o jogo como uma forma de “proteger a fronteira”.

Para quem conhece Tetris, existe ainda uma ironia evidente na mecânica: no jogo original, deixar os blocos formarem uma parede até o topo significa perder.

Tetris Company diz que não autorizou o jogo

A Tetris Company declarou que não esteve envolvida na criação de Build the Wall e que não autorizou nem licenciou sua marca ou propriedade intelectual para o projeto. A empresa também informou que está analisando a situação.

Isso não significa, neste momento, que um tribunal já tenha decidido que houve violação de copyright. A diferença importa: há uma contestação pública e uma possível disputa, mas não uma decisão judicial.

Rio Run transforma a fórmula de Snake em perseguição

Outro jogo que gerou repercussão é Rio Run. Sua mecânica lembra Snake, clássico popularizado mundialmente pelos celulares Nokia.

O personagem percorre a tela enquanto coleta figuras ligadas à política de imigração da administração Trump. A representação de migrantes e deportações como elementos de pontuação transformou esse em um dos títulos mais controversos do projeto.

Para o jogador, independentemente de posição política, é um caso raro de gamificação aplicada diretamente à comunicação oficial de um governo.

Supply Line lembra o clássico Tapper

Supply Line troca imigração por alimentação. O jogador recebe produtos que passam por uma linha e precisa separar aqueles que não atendem aos critérios ligados ao movimento Make America Healthy Again.

Visualmente e mecanicamente, o conceito lembra Tapper, arcade dos anos 1980 baseado em atender rapidamente diferentes filas.

Flappy Bill usa a fórmula de Flappy Bird

Em Flappy Bill, uma águia sobrevoa Washington carregando um projeto de lei. A mecânica lembra imediatamente Flappy Bird: o jogador precisa manter o personagem no ar enquanto desvia de obstáculos.

É uma simplificação arcade do processo legislativo americano, usando uma referência que qualquer jogador mobile reconhece em segundos.

Trump Savings Tycoon divulga as Trump Accounts

O quinto título é Trump Savings Tycoon. Nele, o jogador coleta dinheiro relacionado às chamadas Trump Accounts, iniciativa de contas de investimento voltadas a crianças.

Dos cinco jogos, é o exemplo mais direto de uma política pública transformada em mecânica de jogo.

A divulgação também usa referências de PlayStation, Xbox, Nintendo e Sega

A estética gamer não ficou limitada aos jogos. A Casa Branca também divulgou o Arcade com peças inspiradas em telas de abertura e identidades visuais conhecidas do setor.

Isso amplia uma questão que deve continuar cercando o projeto: até onde vai a paródia e onde começa o uso não autorizado de elementos associados às empresas de videogame?

Por que a Casa Branca está usando videogames?

Videogames têm regras fáceis de entender: existe objetivo, recompensa, fracasso e progressão. Em vez de explicar uma política apenas em uma página de texto, o governo transforma a mensagem em uma ação executada pelo jogador.

A pessoa deixa de apenas ler e passa a interagir. Isso não significa concordância com a mensagem, mas torna a comunicação mais memorável e explica por que o Arcade chamou atenção até de quem normalmente não acompanha anúncios da Casa Branca.

Governo usando jogos não é novidade. O formato, sim

Política e videogames já se cruzaram diversas vezes. Campanhas eleitorais apareceram em jogos, candidatos usaram plataformas como Fortnite e Animal Crossing, e instituições públicas utilizam experiências interativas há décadas.

O que diferencia o White House Arcade é a combinação: jogos hospedados pelo próprio governo federal dos Estados Unidos, ligados diretamente às políticas de um presidente e construídos sobre referências reconhecíveis da cultura gamer.

Existe risco de os jogos desaparecerem?

É possível, principalmente no caso de Build the Wall, mas ainda não há confirmação.

A Tetris Company afirmou que está analisando o caso, sem que isso represente por si só uma decisão judicial. Portanto, dizer que “Tetris processou Trump” neste momento seria ir além do que foi confirmado.

Esse é o principal ponto para acompanhar daqui para frente.

Quais são os cinco jogos de Trump?

Para quem chegou aqui procurando apenas a resposta rápida: Build the Wall, Rio Run, Supply Line, Flappy Bill e Trump Savings Tycoon.

Todos podem ser encontrados na seção oficial Arcade da Casa Branca, que também indica que novos jogos poderão chegar depois.

O caso de Tetris é o que merece atenção agora

É fácil olhar para o White House Arcade apenas como uma curiosidade da cultura de internet. Para o mercado de games, porém, existe uma história maior acontecendo.

Uma das propriedades mais reconhecidas da história dos videogames apareceu reinterpretada em um jogo político produzido pela Casa Branca, e sua proprietária afirma que não autorizou o uso.

Isso cria uma pergunta mais interessante do que simplesmente saber se os jogos são bons: o que acontece quando a comunicação política de um governo passa a usar referências tão próximas de videogames comerciais?

Por enquanto, Build the Wall continua sendo um minigame. A próxima fase pode acabar acontecendo fora dele.


Fontes: Casa Branca; cobertura da Associated Press e declarações públicas da Tetris Company.

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Julio acompanha games desde a época dos primeiros portáteis da Nintendo e nunca perdeu o costume de fechar cada geração com um Zelda debaixo do braço. É daqueles que perdem a conta de quantas platinas já tirou em Monster Hunter, e defende a série Souls como o padrão-ouro de dificuldade bem calibrada nos games atuais. No Zona Gamer, cobre lançamentos, mecânicas de jogo e as histórias por trás dos títulos que valem a pena conhecer.
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