Marvel’s Wolverine Review: brutal, intenso, mas limitado

Julio Nascimento
Julio acompanha games desde a época dos primeiros portáteis da Nintendo e nunca perdeu o costume de fechar cada geração com um Zelda debaixo do braço....
19 min de leitura
4.3 Nota zGamer
Muito bom
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Marvel’s Wolverine é um ótimo jogo de ação para quem quer sentir o peso das garras de Logan, mas não é a obra mais ambiciosa da Insomniac. Nesta Marvel’s Wolverine Review, minha conclusão é simples: a campanha merece a compra para fãs do mutante e de aventuras lineares cinematográficas, porém o combate repetitivo e o excesso de condução tiram parte da força de um jogo que tinha tudo para ser inesquecível.

Joguei a versão de PlayStation 5 e terminei com a sensação de que a Insomniac acertou em cheio na pessoa que está por trás do Wolverine. Logan é feroz, cansado, vulnerável e convincente. O problema é que o jogo nem sempre confia no jogador para aproveitar essa versão do personagem no próprio ritmo.

Marvels Wolverine Review com Logan em arte oficial para PS5
Arte oficial de Marvel’s Wolverine para PS5, desenvolvida pela Insomniac Games.

Nota e veredito de Marvel’s Wolverine Review

Item Avaliação zGamer
Jogo Marvel’s Wolverine
Plataforma analisada PlayStation 5
Desenvolvedora Insomniac Games
Gênero Ação em terceira pessoa
Nota 4.3/5
Indicado para Fãs de Logan, X-Men e campanhas lineares com foco narrativo
Vale esperar? Sim, se você procura combate técnico profundo ou exploração ampla

Veredito: Marvel’s Wolverine entrega uma das interpretações mais humanas e violentas de Logan nos games. A atuação, a direção de arte e as animações sustentam uma aventura muito bem produzida. Ainda assim, a estrutura excessivamente guiada, atividades pouco inspiradas e um combate que evolui menos do que deveria impedem o jogo de alcançar o mesmo patamar dos melhores trabalhos da Insomniac.

O que Marvel’s Wolverine faz muito bem

A grande qualidade do jogo é entender que Wolverine não funciona como um Homem-Aranha com garras. A própria Insomniac explicou que buscou uma experiência mais próxima, mais pesada e mais física para Logan. Essa decisão aparece desde os primeiros confrontos: ele não dança pelo cenário. Ele avança, apanha, atravessa inimigos e deixa marcas no ambiente.

As garras de adamantium têm impacto. As finalizações são brutais sem parecerem só um enfeite de classificação indicativa. Quando a luta entra em um ritmo bom, o jogo entrega exatamente a fantasia de poder que um fã do personagem espera: esquivar, contra-atacar, derrubar um inimigo e transformar a pressão recebida em agressividade.

Também gostei da forma como o dano visual acompanha a ação. Logan sai dos combates coberto de sangue, com roupas rasgadas e ferimentos que reforçam sua capacidade de regeneração. É um detalhe técnico, mas ajuda muito a vender a sensação de que o personagem passa por uma guerra particular em cada encontro.

O melhor Wolverine dos games está na atuação de Liam McIntyre

Se existe um elemento que segura Marvel’s Wolverine mesmo nos trechos menos inspirados, é Liam McIntyre. Sua interpretação não tenta copiar versões anteriores de Logan. Ela encontra um equilíbrio muito bom entre raiva, sarcasmo, desgaste e uma empatia que o personagem tenta esconder.

Esse Logan não é apenas uma máquina de execução. Ele reage ao que vê, carrega culpa e cria relações que dão contexto à fúria. A narrativa é situada antes da formação dos X-Men e trabalha o Team X, com figuras como Mística, Dentes de Sabre e Jean Grey. O resultado é uma história acessível para quem nunca leu os quadrinhos, mas cheia de material para quem já conhece essas relações.

A rivalidade com Dentes de Sabre tem o tipo certo de tensão: os dois parecem entender a natureza um do outro, mas respondem a ela de maneiras incompatíveis. Jean Grey funciona como contraponto emocional e Mística traz uma energia diferente ao grupo. Não vou entrar em spoilers, mas o elenco ajuda o jogo a não depender somente de violência e fan service.

Marvels Wolverine em combate no trailer de gameplay para PS5
O combate de Marvel’s Wolverine privilegia impacto, esquiva e execuções.

O Rage System cria os melhores momentos do combate

O Rage System, sistema de fúria do jogo, é a mecânica que melhor traduz o Wolverine para o controle. A barra cresce durante os confrontos e abre espaço para recuperar vida, usar ataques mais pesados e entrar em um estado visualmente mais agressivo. Há até momentos em que a apresentação puxa para uma estética de quadrinhos em preto e branco, um toque estiloso que quebra a violência realista sem diminuir sua força.

É nessas horas que a ação parece mais completa. Você precisa observar a multidão, usar esquiva, lidar com projéteis e decidir se vale gastar a fúria agora ou guardar para um encontro maior. As habilidades especiais dão variedade e a regeneração evita que Logan pareça frágil demais, algo essencial em uma adaptação desse personagem.

O DualSense também contribui, especialmente na resposta dos golpes e das ações mais pesadas. Não é uma transformação de jogabilidade, mas faz parte de uma apresentação muito caprichada no PS5.

O combate de Marvel’s Wolverine perde força pela repetição

A contradição está aqui: o combate é gostoso, só que não cresce na mesma proporção da campanha. Depois do impacto inicial, boa parte dos confrontos pode ser resolvida com a mesma sequência de ataques básicos, esquivas e especiais quando ficam disponíveis. Há técnicas desbloqueáveis, parries, chutes, arremessos e upgrades, mas nem tudo muda a maneira como você lê uma luta.

Na prática, o jogo parece ter mais ferramentas do que exige do jogador. Em vez de obrigar você a experimentar, adaptar uma build ou dominar cada inimigo, ele permite que a abordagem mais direta funcione com frequência demais. Para uma aventura de super-herói isso não é um desastre, mas diminui o espaço para domínio real do sistema.

Esse é o ponto que mais afasta Marvel’s Wolverine de referências como os jogos Batman Arkham ou títulos de ação mais profundos. A violência tem presença, os golpes têm animação e o ritmo é ótimo em muitos momentos. O que falta é uma escalada mecânica mais consistente para que as lutas do fim não pareçam variações das primeiras.

A estrutura linear funciona, mas a exploração é limitada demais

A Insomniac tomou uma decisão clara: abandonar o mundo aberto de Marvel’s Spider-Man e contar uma história linear. Não considero isso um defeito por si só. Wolverine é um personagem que combina com deslocamentos, missões e cenários fechados. Uma campanha focada poderia ter dado à equipe controle total de ritmo e de espetáculo.

O problema é que alguns cenários parecem grandes demais para o pouco que deixam você fazer. Tóquio e Madripoor têm atmosfera, detalhes e uma direção de arte excelente, mas frequentemente funcionam como corredores bonitos entre um set piece e outro. Quando o jogo mostra uma cidade cheia de possibilidades e logo fecha a rota com barreiras invisíveis, ele cria uma expectativa que não pretende atender.

Se você procura a liberdade de balanço, missões opcionais e exploração de Spider-Man, ajuste a expectativa. Aqui o foco é uma aventura de ação guiada, mais próxima de um blockbuster linear. Para parte do público isso será uma qualidade. Para quem queria descobrir segredos e sentir que habita esses lugares, será uma limitação importante.

Marvels Wolverine no Princess Bar em Madripoor
A pesquisa visual da Insomniac aparece no acabamento dos cenários, especialmente nos trechos ambientados no Japão.

O jogo guia demais o jogador

Meu principal incômodo em Marvel’s Wolverine é o handholding. A primeira metade tem tutoriais, marcadores e interrupções em excesso. Em vários momentos, o jogo explica, aponta ou simplifica ações que poderiam ser descobertas naturalmente. Isso reduz a sensação de agência, justamente em uma história sobre um personagem que deveria transmitir instinto e sobrevivência.

Há interações pequenas, missões de procura e Quick Time Events que não acrescentam muito à aventura. Elas não chegam a destruir o ritmo, mas se acumulam. Em vez de aprofundar exploração, investigação ou relações entre os personagens, algumas parecem servir apenas para alongar uma campanha que já teria força suficiente se fosse mais direta.

A segunda metade melhora. O jogo apresenta situações mais criativas, amplia o repertório de inimigos e deixa o combate respirar. É onde Marvel’s Wolverine mais se aproxima da promessa de uma evolução real. Eu só queria que essa confiança no jogador aparecesse algumas horas antes.

Marvels Wolverine no beco de Tóquio em imagem oficialCena de Marvel’s Wolverine em Tóquio. Imagem oficial da Insomniac Games.

História, vilões e a força da mitologia mutante

O conflito principal coloca Logan e seus aliados contra Bolivar Trask e os Reavers, uma milícia de mercenários cibernéticos. A escolha é boa porque dá ao jogo inimigos capazes de encarar Wolverine sem fazer cada batalha parecer injusta. Os Reavers têm armamento, resistência e presença visual para tornar os encontros maiores que simples grupos de capangas.

A narrativa também acerta ao não pedir conhecimento prévio de filmes, séries ou HQs. Quem conhece os X-Men vai perceber referências e relações reinterpretadas. Quem está entrando agora encontra um ponto de partida compreensível. A história não é revolucionária, mas é bem contada, tem bons conflitos e usa Logan como centro emocional em vez de despejar nomes conhecidos apenas para montar um universo compartilhado.

É justamente por isso que os momentos mais tranquilos funcionam melhor quando servem aos personagens. Conversas e cenas de convivência revelam mais sobre Logan do que qualquer tutorial. Quando o jogo confia nessas relações, ele fica mais maduro e menos preocupado em simplesmente levar o jogador ao próximo combate.

Gráficos, animações e desempenho no PS5

Marvel’s Wolverine é um jogo de produção AAA. As expressões faciais, a captura de movimento, a iluminação e as animações de combate chamam atenção o tempo todo. O trabalho em Logan é especialmente forte, seja no detalhe do rosto, seja na maneira como ele corre, salta, luta e se recupera de danos.

O acabamento visual reforça o tom de aventura madura. Sangue, destruição e ferimentos existem para caracterizar a luta, não só para chocar. Já os ambientes alternam natureza hostil, espaços urbanos e locais de forte identidade visual. Mesmo quando a exploração é limitada, é difícil negar o cuidado artístico em cada cenário.

Para decidir a melhor configuração, vale conferir nosso comparativo de Marvel’s Wolverine no PS5 e no PS5 Pro. Para a maioria das pessoas, priorizar fluidez faz sentido em um jogo tão dependente de reação e leitura de golpes.

Marvel

Quanto tempo dura Marvel’s Wolverine?

A campanha principal tem ritmo de blockbuster e não exige uma dedicação de dezenas de horas para chegar aos créditos. O tempo final varia conforme dificuldade, exploração, desafios e busca por colecionáveis. Minha recomendação é tratar a campanha como uma experiência focada, não como um jogo de mundo aberto para ocupar meses.

Depois de terminar, há conteúdo para revisitar, incluindo New Game Plus, repetição de missões e desafios. Ainda assim, o pós-jogo não resolve a falta de atividades mais marcantes durante a campanha. Para entender o que muda na rejogabilidade, veja nosso guia sobre New Game Plus e modos confirmados de Marvel’s Wolverine e a matéria sobre quanto tempo leva para zerar.

Para quem Marvel’s Wolverine vale a pena?

Vale a pena comprar agora se você é fã de Wolverine, gosta de campanhas lineares e quer uma versão madura dos X-Men com alto valor de produção. A interpretação de Logan, os personagens de apoio, a brutalidade e os cenários fazem a jornada valer o tempo investido.

Vale esperar uma promoção se sua prioridade é combate complexo, exploração livre ou alta rejogabilidade. O jogo tem boas ideias, mas algumas delas ficam na superfície. O excesso de guiamento e a repetição não anulam a diversão, porém pesam mais quando o preço é cheio.

Também recomendo olhar as opções de dificuldade e acessibilidade de Marvel’s Wolverine antes de começar. O jogo oferece recursos para ajustar a violência, a leitura visual e o desafio, algo especialmente útil para quem quer curtir a narrativa sem travar em combates específicos.

Perguntas frequentes sobre Marvel’s Wolverine

Marvel’s Wolverine é mundo aberto?

Não. Marvel’s Wolverine segue uma estrutura linear e narrativa, com cenários específicos e trechos de exploração limitada. Ele não reproduz a liberdade de Marvel’s Spider-Man.

Marvel’s Wolverine é exclusivo de PS5?

O jogo foi lançado para PlayStation 5. A PlayStation Store e a comunicação oficial da Sony apresentam o título para o console PS5. Não vou especular sobre outras plataformas sem anúncio oficial.

É preciso conhecer os X-Men para jogar?

Não. A história apresenta Logan e o Team X de forma compreensível para novatos, enquanto recompensa fãs antigos com personagens e referências da mitologia mutante.

Marvel’s Wolverine tem New Game Plus?

Sim. Há New Game Plus, repetição de missões e desafios adicionais. Esses recursos ajudam na rejogabilidade, mas não mudam a natureza linear da campanha.

Conclusão da Marvel’s Wolverine Review

Esta Marvel’s Wolverine Review chega a uma nota 8/10 porque o jogo entende Logan melhor do que entende suas próprias mecânicas. A Insomniac construiu uma versão brutal, humana e muito bem interpretada do herói. Quando a ação e a narrativa caminham juntas, é fácil lembrar por que Wolverine merecia um jogo próprio.

Mas a aventura precisa confiar mais no jogador. Menos condução, mais profundidade no combate e cenários com maior liberdade fariam uma diferença enorme. Ainda assim, se você quer uma campanha cinematográfica com violência, X-Men e um protagonista excelente, Marvel’s Wolverine é uma recomendação segura. Só não entre esperando outro Spider-Man ou o jogo de ação mais profundo da geração.

Review baseada na experiência de Julio Nascimento no PS5. Informações de plataforma e recursos confirmados foram conferidas na PlayStation Blog e na PlayStation Store.

O que faltou para o jogo chegar a outro nível

O ponto mais frustrante desta análise é que muitos limites de Marvel’s Wolverine não parecem consequência do recorte linear. Jogos lineares podem ter combate profundo, áreas compactas cheias de segredos e progressão que altera de verdade a forma de jogar. Aqui, a Insomniac já tem uma base excelente, mas frequentemente escolhe a solução mais segura.

Mais inimigos que exigissem prioridades diferentes fariam as técnicas terem peso real. Áreas menores, mas com rotas alternativas ou recompensas narrativas, dariam propósito à exploração. E cenas interativas menos óbvias ajudariam a história a continuar fluindo sem parecer que o controle foi tirado da sua mão. Não é uma questão de exigir um mapa enorme ou sistemas de RPG demais. É uma questão de fazer as boas ferramentas do jogo conversarem melhor entre si.

Isso não diminui o valor do que está aqui. Pelo contrário: mostra o quanto a fundação é forte. A Insomniac acertou o tom, acertou o protagonista e acertou o impacto audiovisual. Com mais confiança no jogador, a sequência natural seria transformar essa excelente fantasia de ser Wolverine em um jogo de ação tão memorável quanto sua apresentação.

Por que a nota é 4.3/5

Uma nota 4.3/5 significa que recomendo o jogo com convicção, mas com ressalvas que realmente importam na decisão de compra. Marvel’s Wolverine não é uma decepção. É uma aventura competente, bonita e com cenas que ficam na memória. Seu melhor material está na interpretação de Logan e na maneira como a campanha apresenta sua fúria, seus vínculos e sua violência.

Os dois pontos retirados vêm da distância entre potencial e execução. O combate poderia pedir mais criatividade. A exploração poderia recompensar mais curiosidade. E o ritmo seria melhor se a campanha dispensasse parte das interações triviais e do guiamento constante. Para fãs do personagem, esses problemas dificilmente superam os acertos. Para quem chega buscando inovação no gênero, eles serão bem mais visíveis.

Muito bom
Nota zGamer 4.3
Combate e sistema de fúria 4.5
Narrativa e elenco 4.5
Visual e animações 4.9
Design de fases e exploração 4
Ritmo e liberdade do jogador 3.5
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Julio acompanha games desde a época dos primeiros portáteis da Nintendo e nunca perdeu o costume de fechar cada geração com um Zelda debaixo do braço. É daqueles que perdem a conta de quantas platinas já tirou em Monster Hunter, e defende a série Souls como o padrão-ouro de dificuldade bem calibrada nos games atuais. No Zona Gamer, cobre lançamentos, mecânicas de jogo e as histórias por trás dos títulos que valem a pena conhecer.
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